Cefaléia e Enxaqueca

Embora inúmeras outras causas não oftalmológicas possam causar a cefaléia, esta constitui-se de uma das principais queixas em oftalmologia, sendo usual a associação entre dor de cabeça e problemas visuais.

A Cefaléia determinada por problemas refracionais visuais tais como hipermetropia, miopia e astigmatismo, geralmente tem início após esforço visual. Nesses casos o Paciente relata acordar bem, sendo que durante o dia ou, ao final do período de aulas ou trabalho, começam as dores de cabeça. A esse tipo de queixa denominamos Astenopia e, normalmente, tal sintomatologia costuma desaparecer após a prescrição e uso dos óculos.

Algumas patologias oftalmológicas que também podem provocar cefaléia são estrabismos e insuficiência de convergência (alterações da motilidade ocular); uveíte (inflamação intraocular), glaucoma agudo, etc.

A enxaqueca é uma doença genética que provoca alterações químicas no cérebro, as quais tornarão esse órgão mais sensível a uma série de fatores internos e externos que acabam por desencadear as crises de dor de cabeça típicas dessa doença. Ela se manifesta como uma dor que pode ser latejante, em peso ou, como uma sensação de pressão de dentro para fora, como se a cabeça fosse explodir. A dor pode ser localizada em qualquer parte da cabeça, inclusive na região dos dentes, dos seios da face e da nuca. Ela pode vir acompanhada de náuseas e vômitos; de aversão à claridade; bem como de sensação de odores fortes ou barulho. Em alguns casos a dor de cabeça pode inclusive ser precedida por sintomas oftalmológicos. Nesse caso ela é denominada Enxaqueca Oftálmica, onde tais sintomas são chamados de Aura. Nessas circunstâncias o Paciente começa subitamente a apresentar alucinações visuais tais como enxergar “luzinhas”, “estrelinhas”, ou “vagalumes” piscando no seu campo visual, ou então enxerga linhas em zigue-zague, tremeluzentes, que vão aumentando em tamanho e atrapalhando a visão, ou mesmo ocasionando uma perda progressiva da visão, bastante peculiar no sentido de que a pessoa passe a enxergar apenas uma parte dos objetos, com perda de parte de seu campo visual. A aura dura entre 20 minutos e uma hora, após o que, ela vai regredindo. Assim que a aura passa, a dor de cabeça, tipicamente, começa. Daí o termo aura e/ou premonição. Destaca-se que algumas pessoas podem ter episódios apenas de aura, sem a dor de cabeça, daí a enxaqueca sem dor de cabeça.

Normalmente, pelo fato de sintomas visuais precederem a dor, isso logo serve de alerta para o Paciente já experiente e, este procura evitá-la com a medicação conhecida. Tal tratamento é apenas sintomático, quer seja, livra-o da crise mas não evita que possa ter outras, a menos que se descubra uma causa definida.

Sempre que o Paciente relacionar Cefaléia após esforço visual, ou alterações visuais como luzinhas, “estrelinhas”, “vagalumes”, perda de campo visual, deve imediatamente procurar um Oftalmologista para afastar possíveis causas oftalmológicas, através de exames clínicos e diagnósticos complementares. Afastadas todas as possibilidades de patologias oculares, esse Paciente deverá ser então encaminhado para um Neurologista, o qual deverá administrar-lhe um tratamento adequado.

Detentora de mais de 30 anos de experiência em Oftalmologia Geral, adquirida no Instituto de Oftalmologia Tadeu Cvintal, com especialização em Córnea e Segmento Anterior.

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